blog tag Inclusão de PcDs requer combate ao preconceito

Mais do que cumprir leis, a inclusão deve resultar em mudanças de conceitos e no modo de ver o mundo
No dicionário de Direitos Humanos do Ministério Público da União, a expressão “inclusão social” significa deixar de excluir, independentemente da razão. Mas, ao se falar do termo nas empresas, é necessário oferecer também as condições adequadas para acolher as particularidades de todos os colaboradores.
A Lei 8213/91 (de Cotas), em seu artigo 93, declara que toda empresa com mais de 100 funcionários é obrigada a contratar de 2% a 5% de profissionais com deficiência.

Para a sócia-fundadora da Consultoria Egéria, Tânia Bueno, Porém, mais do que cumprir leis, a inclusão deve resultar em mudanças de conceitos e no modo de ver o mundo. “É necessário combater o preconceito e prezar pela igualdade entre as pessoas”, destaca.

Segundo Tânia, a empresa deve ampliar as oportunidades para todos os tipos de deficiência a fim de que esses profissionais consigam desenvolver suas habilidades. “É fundamental que eles sejam tratados com respeito e dignidade, reconhecendo limitações na realização de algumas atividades, mas principalmente focando suas potencialidades e cobrando resultados. Afinal, é saudável todos terem metas a serem cumpridas na organização”.

Vale destacar a importância de não tratar esses trabalhadores com superproteção para não prejudicar seu desenvolvimento pessoal e profissional. “Cuidar não é sinônimo de paternalismo e sim de acompanhar, aprender e ensinar de forma compartilhada, ativa e desprovida de preconceitos.”

Tânia afirma que a contratação dos profissionais PcDs não deveria estar relacionada à deficiência mas sim à competência técnica, tendo a lei apenas um papel complementar. “Atualmente, temos um número enorme de pessoas qualificadas com deficiência, mas algumas empresas as contratam para cargos iniciais, porque há o estigma de sua incapacidade. É preciso romper com essa discriminação”, alerta a consultora.

Para que a inclusão realmente ocorra, deve ser considerada apenas a limitação advinda da deficiência e a adaptação necessária no ambiente de trabalho. “Só assim o profissional pode se sentir parte do time, contribuindo com o seu trabalho e sendo respeitado como um ser humano com potencial”, finaliza Tânia.

Originalmente publicado no Jornal Amarelinho.